poesia

O giro

Algo não está encaixando
O declarar do sentimento
Finge o que está debaixo do pano

Mas o véu dentro do coração
Continua me cegando

Por que não largo o que me faz mal
Bem que imagino que me faz bem

Atrasando novamente 
Nos caminhos tortos da minha morte

Por que acredito que o mundo é um caos?
Por que reflito na última estação do trem?

Recomeçar todos os dias 
É o giro que agita a vida

Presença

A ilusão do conhecimento 
Afastando a ignorância do conforto
No cansaço de pontos de vista extensos 
Paro, sinto e penso
Que tudo é mais leve na confiança do vento

O passado torna o presente agradável
Em memórias que são selecionadamente tépidas
O futuro cada vez mais incerto em conjunto com meus sonhos e metas

O presente precisa de mais presença
Aceitar limites e novas fases
Viver a energia que vale gastar e perceber o quanto se desperdiça
Seguindo rumo ao inevitável fato do destino caminhado
Ficar só comigo é um desabrigo 
Como direciono ao hedonismo e toxinas sociais 

Sempre a favor do ego
Nunca ao que eu sou 
A dependência cega a diferença de uma outra presença.

Um corpo para sobre viver

Um pedaço do dedo sem unha
Em troca de um bife sem testemunha 

Meia mão e uma orelha
Por um filé de frango na grelha

Ou que tal a perna esquerda depilada
Para um belo prato de macarronada

Nos tempos de hoje e jamais mudou
Não resta mais nenhum pedaço do corpo
Minha alma acabou

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