Post indo bem

O giro

Algo não está encaixando
O declarar do sentimento
Finge o que está debaixo do pano

Mas o véu dentro do coração
Continua me cegando

Por que não largo o que me faz mal
Bem que imagino que me faz bem

Atrasando novamente 
Nos caminhos tortos da minha morte

Por que acredito que o mundo é um caos?
Por que reflito na última estação do trem?

Recomeçar todos os dias 
É o giro que agita a vida

A vida que se há

A fuga de viver a vida
Como se tem na vida que se há

Na forma que impõe
E molda seus tropeços 

Sem tempo de questões 
Na confiança que as repostas 
Brotam sutilmente 

Controlar a velocidade 
Sem voracidade e
Observar as plantas 
Provocando e crescendo 
Aos olhos da idade 

No canto do canto
Da dor que lembro que sinto
Pouco ou muito dentro
Do caos da minha cidade

No topo

No topo da montanha
Há muitas possibilidades
Todas as direções a disposição
Pontos de vistas em diversidades
Vento, frio, calor e o coração

Do alto a coragem pode nascer
Pelo engano de tudo ser menor
Avidamente ao descer e parecer
Nada é igual ao visto do ponto

E o que fazer com a coragem
Que provém do coração
Voltar a viver no topo
Ou encarar leve e cheio
Os desafios dessa ilusão

E o véu rasgado
Te ensina que eram apenas
Uma questão de ver o ponto
Resgatado, alojado e preparado

Relaxar na graça do plano maior
Do topo para o chão
Sem domínio, apenas amor e paixão

Esquema

O prazer que me prende 
É o desejo que me condena
Desvaloriza e me vende
Rodando a mim no esquema 

Romper com a limitação
Exige muito do ser
Pureza e esforço no coração
E vontade de aprender 

Na contra mão do cardume
Posso encontrar o meu tesouro
Uma luta frente ao costume
De tirar o próprio couro

Cuidar, amar e viver
Alimento básico da jornada
Que se esquiva para correr
Tente acordar, acolher ou faça nada

Energia

Hó energia que desejo
Que sempre esteja por perto
Animando o meu coração a manter a coragem 
Como uma flecha sabe alcançar a sua chegada 

Hó energia que proporciona 
O movimento em meu corpo
E a floração em meus pensamentos 

Vivendo absolutamente o presente
Rumo sem ânsia, mas com discernimento ao que
Ainda virá e nascerá 

As câmaras do coração

Que o coração seja aberto
para entrar toda emoção sem julgamento 
de qualquer parte por nenhum sentimento

Que o coração seja forte
para suportar todas as tentativas de invasão
por objetos obsoletos da ilusão

Que o coração seja cheio
de desejos e intenções da verdade
o espelho refletindo sem vaidade 

Que o coração seja puro
iluminando todo corpo e alma 
seguindo a jornada pessoal da flora e da fauna

Presença

A ilusão do conhecimento 
Afastando a ignorância do conforto
No cansaço de pontos de vista extensos 
Paro, sinto e penso
Que tudo é mais leve na confiança do vento

O passado torna o presente agradável
Em memórias que são selecionadamente tépidas
O futuro cada vez mais incerto em conjunto com meus sonhos e metas

O presente precisa de mais presença
Aceitar limites e novas fases
Viver a energia que vale gastar e perceber o quanto se desperdiça
Seguindo rumo ao inevitável fato do destino caminhado
Ficar só comigo é um desabrigo 
Como direciono ao hedonismo e toxinas sociais 

Sempre a favor do ego
Nunca ao que eu sou 
A dependência cega a diferença de uma outra presença.

Jornadiando

Realmente como é fácil se afogar no poço do vasto domínio egóico em algum momento da vida.

Foram várias fases, e em cada uma delas, eu me afoguei em alguma forma de destruição.

De impedir e borrar a imagem de quem eu realmente sou.

Mas um hora posso romper esse véu, e quando penso que não há mais nada, é criado outra forma de destruição e distração.

Santa meditação que me ajuda todos os dias, mas o desafio do torneiro de equilibrar o encaixar entre peças, na vida é extremamente mais complicado.

Clamo a persistência para que não falte em todas as próximas fases da vida, pois sem ela o desequilíbrio é muito maior. 

Levanta e sacode a poeira e esteja pronto para qualquer outro próximo capote.

Jornadiando todos os dias tentando manter o coração aberto, forte, cheio e claro. 

Um dia de uma forma ou de outra será alcançado, nesta ou na outra.

Antes de dormir

Amo poesia porque rima com hipocrisia
Como minha mãe dizia
Não deixe louça na pia
Se acordar com azia 
Vomite os pensamentos do dia
Lembro o conselho da tia
Que falou de democracia
Um estado de afasia
Que é somente fantasia 
Mas cuidado com a mania
De andar pela guia
Parece utopia 
Sem querer outra poesia 
Dita por um vigia
Que morou na Bahia
E caiu numa fria 
Quando pegou pneumonia

Medo

Sempre me dispus como violento, iracundo e reativo.
Pronto a bater, cuspir, chutar e a correr.
Tatear sangue nunca foi um problema, até gosto de admirar a sua cor rubro, um vermelho ímpar.
Um prazer sádico no espelho do masoquista.
No entanto, quero expressar que a balbúrdia foi por medo, tudo por medo.
E como eu odeio o medo, queria só viver e conviver com o medo.
Sem querer controlar ou dizimar, mas não temer o medo apenas.
Conversar com ele e entender os medos que o assombram.
Estamos juntos como uma simbiose desarmônica, só peço paz ao meu medo.

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